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domingo, 3 de maio de 2015

(Des)encontro pendente

    Se à hora de sempre eu não estiver lá, não esperes por mim. Parte. Segue o teu caminho. Leva os teus sonhos que um dia foram meus, nossos, leva um pedaço de mim guardado no pensamento. Eu levo-te inteira em mim.
    Se no lugar do costume por lá não me encontrares, não me procures. Parti. Tracei um novo caminho. Levo os desejos que sempre foram apenas meus, só meus, fica com aqueles que sempre perseguiste. Eu sigo-te em mim.
     Se perguntares por mim e ninguém souber, não insistas. Fica. Não andes atrás do que não queres, procura antes aquilo que te completa. Eu tenho-te em mim.
     Se te quiseres recordar de mim, fá-lo com todo o carinho. Repete-o. Lembra-te dos momentos que partilhamos, as nossas confidências, as nossas brincadeiras, os meus olhos a brilhar cada vez que falava contigo. A lágrima que escorria no dia em que disse o que sentia por ti. Recorda-te do quão especial eras para mim
     E virão as chuvas do meu Outono, o gelo do teu Inverno… só aí sentirás a falta da Primavera que julgamos nunca vir a terminar, e do calor do Verão que era tão nosso.
Parti. Deixei de conseguir perceber se a esperança conseguia superar toda a impossibilidade, ou se a impossibilidade limitava toda a esperança.
     Chegará a altura em que olharás para trás e dirás, tal como Hamlet, "amei-te, um dia". Eu responderei, lá de onde estiver, "ama-te-ei" até um dia... E então, se sentires saudades minhas sabes onde me encontrar. Estarei à hora de sempre, no lugar do costume, toda a gente to dirá. Só te cabe em ti encontrares-me.