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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Como um sol que se espraia


O dia expirava-se a cada metro percorrido naquele fim de tarde. O destino seria um local à beira mar que lhes permitisse fitar o sol, um promontório, quem sabe, um simples areal... importava apenas visão limpa para o astro. 

Eis o areal! Logo miraram uma velha capela encrostada nas rochas que as ondas beijavam de forma repetida. Descalçaram-se antes de pisar a areia, logo de seguida caminharam de forma casual e quase instintiva até ao templo, subiram o primeiro vão de escadas e deixaram a vista repousar um pouco naquele horizonte inalcançável. Em baixo, a leste deles e do resto do mundo, uma criança brincava com o pai no espumar das ondas, como se aqueles últimos momentos de luz fossem o resumo perfeito do dia que então se preparava para terminar.
Tomás aproximou-se de Alexandra e entrelaçou-lhe os braços pela anca durante breves momentos, como se procurasse com aquele gesto garantir que o mais precioso tesouro não lhe fugisse, largando-a apenas quando sentiu os primeiros movimentos de desconforto de Alexandra. Afastou-se um pouco, sorrindo e fixando o olhar naquela linha ténue que separa o céu do mar e não demorou a subir até ao último vão de escadas, acompanhado de seguida por Alexandra.
Aí demoraram-se. Tomás pousou a mão no alpendre granítico e, num ostinato alheado esboçou aquele afago que desejava fazer na pele marmórea de Alexandra. Mantiveram-se em silêncio, naquele silêncio que tanto quer dizer... Tomás estava hipnotizado pelo quadro que a natureza lhe proporcionava observar e não queria profaná-lo com palavras vãs. Olhou para Alexandra e pensou para si no quanto gostava dela, na vontade que tinha de a abraçar, de a beijar, de lhe dizer ao ouvido que a admirava, que a amava, mas não, manteve o silêncio contemplativo e percebeu que estar ali, a sentir o vento que empurra a água a beijar a terra iluminada pelo sol, que toda aquela junção dos elementos observada em silêncio seria a mais bela declaração de amor que Tomás podia fazer. 
Não conteve a vontade de a abraçar, nem uma lágrima mal disfarçada, não evitou o beijo ternurento no ombro de Alexandra, nem a carícia nos seus braços que começavam a ceder ao frio. 
Ali ficaram até sentirem na pele o rigor do luscofusco pré-outonal. 
Partiram para suas casas entre as brincadeiras habituais.
Tomás ficou mais um pouco. Talvez ainda lá esteja.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

É uma pausa.

Um dia voltarei a escrever aqui. Por agora chega. A minha alma precisa de uma pausa. Uma grande pausa.
Até qualquer dia..

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Só os raios desse sol me aquecem

Porque espero eu tanto voltar a ver o seu olhar, se nem sei se esse olhar me observa? Hoje acordei sem saber tanta coisa, que limito-me àquele pouco horizonte que consigo enxergar.
Se ao menos aqui estivesses para poder partilhar contigo tudo o que trago cá dentro, os medos, os caminhos a escolher... dá-me a mão e ajuda-me a escolher. Ao teu lado é tudo tão mais fácil que é como se um novo sol mudasse o brilho dos meus olhos. A única certeza que tenho é que só esses raios de sol me aquecem.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Voglio davvero...

Serra do Marão, 2015



Há um sol a querer espreitar por entre as brechas da neblina, e eu de olhar tímido sorrio-lhe. Também ele tímido em se mostrar, é certo, mas lentamente os seus raios espectrais aquecem-me. 
Quero ver todo o esplendor deste sol. Quero muito. 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Hoje não sou boa companhia

Voltei a ver a névoa e não a quis desvendar: há muito que o desconhecido me assusta. Porque há-de quer ver o sol aquele a que à penumbra está acostumado?
Não me procures, não me queiras ouvir. Há dias em que não existo e não consigo ser nada daquilo a que habituei ser, dias em que tudo me passa ao lado, e eu passo ao lado de toda a gente.
E hoje é um desses dias em que não me encontro em lugar algum, a névoa à minha volta torna-me inalcançável, invisível, indiferente. Afinal, pouco me importa se vejo névoa ou sol, se existo ou me idealizo, se sonho ou me conformo. 
Se puderes evita-me, hoje não sou companhia para ninguém.
Voltei a ver a névoa e não a quis desvendar: afinal hoje há tanto que tanto faz...