Voltei a ver a névoa e não a quis desvendar: há muito que o desconhecido me assusta. Porque há-de quer ver o sol aquele a que à penumbra está acostumado?
Não me procures, não me queiras ouvir. Há dias em que não existo e não consigo ser nada daquilo a que habituei ser, dias em que tudo me passa ao lado, e eu passo ao lado de toda a gente.
E hoje é um desses dias em que não me encontro em lugar algum, a névoa à minha volta torna-me inalcançável, invisível, indiferente. Afinal, pouco me importa se vejo névoa ou sol, se existo ou me idealizo, se sonho ou me conformo.
Se puderes evita-me, hoje não sou companhia para ninguém.
Voltei a ver a névoa e não a quis desvendar: afinal hoje há tanto que tanto faz...
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