Perdi o teu toque e o teu cheiro, esqueci a tua voz e o teu olhar. Preciso de um esforço para me lembrar de ti, do teu rosto, dos teus cabelos, das tuas idéias... e como foram vãs as promessas que trocamos, tão efémeras que nenhuma me vêm à memória. Não sei se existes, tão pouco sei se te reconheceria se te visse. Certamente que sim. Poucas pessoas pisam o chão com a mesma graça que tu. Se já não tens rosto, nem cheiro, nem toque, conservarás ainda a tua essência que me faria reconhecer-te no mais longínquo dos desterros. Se te vir e reconhecer, descansa, pois não te falarei. Perdi esse direito. Sabes, por vezes tenho vontade de partilhar contigo certas conquistas ou aqueles passos quotidianos que vamos dando pé-ante-pé. Não o faço. Não. Perdi esse direito. Já não me ouvirias para além do que é cordial, ou simplesmente educado. Perdi esse direito. Era ténue, vão, efémero, tal como efémeros foram aqueles momentos que já nem me recordo bem.
Não sei se existes, não sei se existo. E tão somente efémeros demos um dia as mãos... e tão somente efémeros um dia existimos um no outro...
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