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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A matemática do coração

Parecerá ridículo, à partida, aliar no mesmo texto algo tão exato com outro tão etéreo. Mas o que é o amor, ou pelo menos uma relação, se não a mais pura das matemáticas, com direito ao seu rigoroso algoritmo e tudo?
Começamos por conhecer aquela pessoa e olhamos para ela muitas vezes como uma verdadeira incógnita, e não poucas vezes a integramos imediatamente num sistema de múltiplas incógnitas. À medida que o sistema se vai desvendando, evoluímos para o campo das probabilidades e, mais tarde, quando a coisa começa a ficar mais séria começamos a fazer as primeiras análises estatísticas, relacionamos volumetrias, formas, tamanhos. Em seguida assiste-se à simbiose dos números, verificamos os níveis de paridade, as assimetrias, medem-se os ângulos, traça-se o diâmetro… Fazem-se juras de amor exponencial, mas por vezes somos retribuídos por sentimentos bem fracionados. E, no final, o que geralmente interessa é saber se a operação será uma profícua multiplicação ou se, por outro lado, não passará de uma divisão de resto zero.
Para mim, não há nada mais belo que começar por ser uma simples soma, onde um mais um é igual a dois.
Nunca nos esqueçamos: não importa o quão diferente à partida podemos parecer, pois até os números mais díspares podem ser somados.

E no entanto, apesar de tanta matemática, é tudo tão etéreo…

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